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Professores do CPS facilitam o aprendizado e inserção de estudantes com deficiência

Professores Do CPS Facilitam O Aprendizado E Inserção De Estudantes Com Deficiência
Mais de 2 mil diretores, professores e funcionários foram capacitados para inclusão nos últimos cinco anos l Foto: Divulgação

Quebrar barreiras de locomoção, comunicação, integração e emocionais de alunos portadores de deficiência. Este é o desafio dos professores de apoio do Centro Paula Souza (CPS), que, em 2017, atenderam mais de 600 estudantes com algum tipo de limitação física, intelectual, visual, auditiva ou múltipla em 165 das 289 Escolas Técnicas (Etecs) e Faculdades de Tecnologia (Fatecs) estaduais.

Desde 2014, a instituição investiu mais de R$ 600 mil na compra de móveis e equipamentos para auxiliar jovens com deficiência na sala de aula e nos estudos extraclasse. São diversos aparelhos, como lupas eletrônicas, leitores de texto digitais, scanners especiais e máquinas de escrever em braille, além de carteiras adaptadas para cadeira de rodas.

Sem acompanhamento especial, porém, nem sempre o aluno consegue usufruir dessa estrutura para superar dificuldades de inclusão e aprendizagem. Nos últimos cinco anos, foram treinados aproximadamente 2 mil professores e funcionários em temas como integração, práticas pedagógicas, metodologias de ensino, tecnologias assistivas, legislação e linguagem de sinais.

“Com o auxílio do professor de apoio, o estudante com deficiência começa a sentir que pode aprender, o que faz muito bem para sua autoestima”, diz a assessora de Inclusão da Pessoa com Deficiência do CPS, Alessandra Costa. “A presença desse educador também é importante para que os demais professores diversifiquem metodologias, respeitando o tempo de aprendizagem em cada caso.”

Integração 

Frederico Mazziero auxilia há um ano o estudante do curso superior tecnológico de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Fatec de Jaú, Márcio dos Santos, portador de deficiência visual. Para o educador, a empatia é uma das principais características para o sucesso do trabalho.

“Eu preciso tentar me colocar na situação do aluno, entender o que ele passa e o que sente. Muitas vezes, questões emocionais são tão importantes quanto as acadêmicas”, explica Mazziero. “Essa percepção é fundamental para que eu consiga identificar a origem de determinadas dificuldades e propor alternativas para passar o conteúdo do curso e diminuir a barreira entre ele e o aprendizado.”

Se o trabalho do professor de apoio é importante para o desenvolvimento acadêmico, também ajuda na integração do estudante com colegas e demais educadores. “No começo, o Márcio interagia pouco. Gradualmente, foi se soltando, perdendo a timidez para perguntar em sala de aula, tirando dúvidas e dependendo cada vez menos de mim. Quando o vejo conversando e rindo com os colegas e professores, me sinto realizado como profissional”, comemora Mazziero.

“Temos experiências muito boas no acolhimento do estudante com deficiência por parte dos demais alunos”, afirma Alessandra. “Em alguns casos, eles desenvolvem Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) para minimizar as limitações inspirados por essa convivência.”

A cada ano, projetos e pesquisas desenvolvidos por alunos das Etecs e Fatecs são destaques em feiras de ciência de todo o País. Neste último semestre, por exemplo, todos os sete TCCs dos alunos do curso técnico de Mecânica da Etec Presidente Vargas, de Mogi das Cruzes, foram sobre tecnologias assistivas e devem ser doados a pessoas e instituições da cidade, localizada na Região Metropolitana de São Paulo.

Desenvolvimento

Para a professora de apoio Mádia Fontes, da Fatec Cruzeiro, a crescente naturalização da diversidade nos dias atuais também é um fator que ajuda na inserção dos estudantes com deficiência. “Os alunos hoje parecem ter uma compreensão maior. Têm mais facilidade em manter uma postura inclusiva e respeitosa diante da diferença”, avalia.

Há três anos, ela acompanha Julia Guida, aluna do curso superior tecnológico de Análise e Desenvolvimento de Sistemas (ADS). Com auxílio da educadora, muito estudo e dedicação, a estudante conseguiu superar as limitações de movimento, fala e audição para se tornar pesquisadora. Contemplada pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Tecnológica e Inovação (Pibiti) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Júlia vai desenvolver um software de reconhecimento facial para ajudar pessoas com limitações de movimento a utilizar computadores.

“Somos parceiras. Por esse motivo o trabalho é gratificante. Sinto muito orgulho de poder contribuir no dia a dia, facilitando a aprendizagem”, finaliza Mádia.

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