Fatec Marília mantém Banco de Leite que atende 62 cidades

19 de maio de 2022

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Rede de Bancos de Leite Humano do Brasil é a maior do mundo e país é considerado referência | Foto: KamranAydinov – Freepik

Boa parte do que acontece nas Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) e Faculdades de Tecnologia (Fatecs) acaba reverberando fora do campus. Um bom exemplo é a Fatec de Marília, no sudoeste do Estado, que desde 2007 é responsável pelo Banco de Leite Humano (BLH) que atende 62 cidades da região. Os professores Alice Yoshiko Tanaka e Paulo Sérgio Marinelli encabeçam as análises microbiológica e físicoquímica do leite coletado, somando, em média, 5 mil análises realizadas por ano. A necessidade de suprir tantas cidades com o alimento manteve o Banco de Leite ativo mesmo durante a pandemia, enquanto a Fatec funcionou de forma remota.

O laboratório trabalha com insumos fornecidos pela Prefeitura, que também disponibilizou uma biomédica para atuar com os professores em tempo integral. “Contamos com o espaço físico da Fatec e com o know-how dos nossos professores”, conta Alice, que trabalha com análise de leite humano desde os anos 1980. E a expertise é um patrimônio importante na faculdade. Marinelli lembra que cerca 95% dos professores da Fatec Marília são doutores.

A coleta do leite pode ser feita diretamente na casa das mulheres que têm mais leite do que os seus bebês conseguem consumir. Depois de analisado, ele é encaminhado aos recém-nascidos prematuros ou com baixo peso. “O leite materno é o alimento perfeito”, conta Alice. “Ele age diretamente sobre o sistema imunológico da criança, tem gordura e ácidos graxos essenciais”. E enfatiza: “Não existe leite materno fraco. No máximo, pode haver uma variação calórica. Seja qual for a idade ou a condição física da parturiente, ele deve ser oferecido ao bebê.” 

Brasil na linha de frente

Em 2015 foi instituído o 19 de maio como o Dia Mundial de Doação de Leite Humano, uma ação capaz de diminuir a mortalidade infantil nos países onde é devidamente adotada. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é referência internacional no assunto, com a maior rede de Bancos de Leite Humano (rBLH) do mundo com 224 bancos e 216 postos de coleta distribuídos por todo o país, além da coleta domiciliar. Há 36 anos, a rBHL nasceu por iniciativa de João Aprígio de Almeida, pesquisador da Fiocruz, a quem a OMS concedeu, em 2020, o Prêmio Dr. Lee Jong-wook de Saúde Pública, um dos mais conceituados da área de saúde.

Os professores Alice Yoshiko Tanaka e Paulo Sérgio Marinelli lideram as análises do leite coletado. Foto: Divulgação