Filtro de Daltonismo

Etec de Quatá cria bioplástico à base de casca da laranja

Projeto desenvolvido por turma do curso técnico de Química propõe alternativa sustentável ao plástico convencional usando resíduo orgânico

18 de fevereiro de 2026 11:25 am Etec, Projetos

Fabricação do bioplástico foi possível graças à pectina, polímero natural presente na casca da laranja | Crédito: rawpixel.com – Freepik

O Brasil está entre os maiores produtores mundiais de plástico e figura como o quarto maior gerador de resíduos desse subproduto do petróleo no planeta. Ao mesmo tempo, lidera a produção global de laranja. Esse contraste ambiental inspirou alunos da Escola Técnica Estadual (Etec) Doutor Luiz César Couto, de Quatá, cidade a 490 quilômetros da Capital, a desenvolver um plástico biodegradável a partir da casca da laranja, resíduo abundante no País.

Batizado de Ecocitrus, o projeto é resultado do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) dos formandos do curso técnico de Química Matheus Henrique Lima, Miguel Meneghetti Santos e Lidya Azevedo, sob orientação das professoras Maraisa da Silva Pereira e Silvia Bedin Camponez.

“Fomos motivados pelo fato de o Brasil ser um dos maiores produtores de plástico do mundo e, ao mesmo tempo, o maior produtor mundial de laranja e derivados da fruta”, explica Miguel.

A matéria-prima usada no projeto surgiu de forma espontânea no cotidiano escolar. O refeitório da Etec de Quatá oferece semanalmente suco natural de laranja, gerando grande volume de cascas.
“Observamos que a quantidade destinada à compostagem era superior à capacidade de reaproveitamento, o que levou o grupo a utilizar esse excedente do resíduo orgânico no desenvolvimento do bioplástico”, conta a professora Silvia Camponez.

Cenário

Dados da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) indicam que, em 2023, o Brasil foi responsável pela fabricação de mais de 7 milhões de toneladas de produtos plásticos. Já no cenário mundial, estima-se que 400 milhões de toneladas tenham sido fabricadas em 2022, sendo apenas 9,5% recicladas, segundo estudo da Universidade de Tsinghua, na China. A projeção aponta que a produção global poderá chegar a 800 milhões de toneladas até 2050.

Enquanto isso, o agronegócio brasileiro colheu cerca de 17 milhões de toneladas de laranja em 2024, com o Estado de São Paulo respondendo por 77% da produção nacional, apontam dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A fabricação do bioplástico a partir do resíduos da fruta só é possível graças à pectina, um polímero natural presente na casca da laranja. Polímeros são substâncias cujas cadeias moleculares são repetitivas, característica que possibilita a formação de materiais leves e moldáveis.

“Além de renovável, a pectina pode ser extraída por meio de um processo químico simples e de baixo custo”, destaca a professora Maraisa Pereira. Testes laboratoriais indicaram bons resultados quanto à decomposição do material biodegradável.

O processo de produção envolve a secagem das cascas em estufa, trituração até a obtenção de um pó semelhante à farinha e posterior mistura com ácido cítrico e água. Após aquecimento em banho-maria, o material passa por filtragem e recebe aditivos como glicerina, amido de milho e alginato de sódio, até atingir consistência viscosa. A etapa final inclui moldagem, secagem e banho em cloreto de cálcio, resultando no bioplástico.

Impacto ambiental

Apresentado na 16ª edição da Feira Tecnológica do Centro Paula Souza (Feteps), o projeto propõe o bioplástico como alternativa ao polietileno de baixa densidade (PEBD) — material amplamente utilizado em sacolas e embalagens e responsável por mais de 500 mil toneladas da produção anual de plásticos no Brasil.

Os alunos destacam que o Ecocitrus está alinhado ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 12 da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), que incentiva padrões sustentáveis de produção e consumo.

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