Dia da Consciência Negra é celebrado com festa e reflexão

As comemorações do 20 de novembro envolvem 11 Etecs e 4 Fatecs em uma série de eventos; várias formas de arte de origem afro estão presentes na programação

16 de novembro de 2022 2:33 pm Institucional

A programação para o Dia da Consciência Negra está repleta de atividades culturais, festivas e acadêmicas. Foto: Pikisuperstar-Freepik

Música, dança, capoeira e até feijoada. Nas Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) e Faculdades de Tecnologia do Estado (Fatecs), as muitas manifestações da cultura de origem africana marcam o Dia da Consciência Negra, instituído em 2003 e comemorado a cada 20 de novembro. Mas os eventos também incluem palestras e rodas de conversa com o fim de discutir as pautas ligadas à mal arrematada abolição da escravatura, que deixou toda um contingente da população à margem da sociedade.

Na programação, batalhas de ideias são tão bem-vindas quanto as batalhas de rimas que acontecem na Etec Monte Mor. Elas serão mediadas pelo rapper João Paulo Rodrigues Machado dentro de uma celebração que incluiu ainda uma explanação sobre a história do Hip Hop. 

Raízes do Brasil

Na Etec João Maria Stevanatto, em Itapira, as raízes do folclore brasileiro nascido na cultura afro surgem em forma de música – da capoeira, uma luta permeada pelo som do berimbau, à Congada, festa folclórica de origem africana que encena a coroação do Rei Congo. O grupo Congada Mineira de Itapira, que já se apresentou em vários festivais, é convidado do evento.

Mas o dia também é lembrado de forma mais acadêmica, em um série de rodas de conversa, palestras, depoimentos e a produção de seminários que versam sobre diversos aspectos da cultura negra. Esse é o foco do evento que tem lugar na Etec Profª Dra. Doroti Quiomi Kanashiro Toyohara, de Pirituba, com abordagens que vão desde os movimentos de resistência até a estética negra, a exemplo da maquiagem e dos produtos específicos para o cabelo afro.

Dia 20 de novembro é o ano todo

Há quem prefira diluir as discussões sobre a questão negra ao longo do ano. Na Etec São Paulo, os alunos acreditam que a pauta da consciência negra deve ser nossa obrigação de todos os dias. Formado por alunos e ex-alunos da unidade, o coletivo Nkongo Nkosi reúne-se a cada quinze ou trinta dias, “sempre que surge uma questão a ser discutida”, explica Rafael Nobre Orsi, diretor da escola. Um dos próximos eventos a ser promovido na escola, por exemplo, ainda não tem data marcada, mas o tema está definido: uma palestra sobre educação não racista, iniciativa do Coletivo a partir do Pequeno Manual Antirracista, livro da filósofa Djamila Ribeiro. A ideia é trazer frases e termos que foram incorporados ao nosso vocabulário embora carreguem uma carga ofensiva que acabou naturalizada pelo uso cotidiano e acrítico da sociedade. Orsi dá uma medida do sucesso do grupo: “Eles já reuniram 600 estudantes em uma conversa no nosso auditório.”

Pensando o tema da diversidade como uma aprendizagem necessária para todos os seus funcionários, o Centro Paula Souza (CPS), por meio da Comissão de Gestão Participativa, criou o 1º Fórum de Educação para as Relações Étnico-raciais, que acontece no dia 22 de novembro, das 10 às 12 horas. O encontro entre os palestrantes Júlio César Silva Santos e Alexsandro Santos será mediado pela diretora da Etec Itaquera II, Tarsila Roquete Fernandes de Oliveira Santiago, que propôs o encontro. “Não podemos falar sobre o assunto apenas em novembro”, diz a professora. “É preciso um letramento para essas questões no dia-a-dia.” As inscrições podem ser feitas neste link: bit.ly/3DX5nJh. A transmissão, aberta a todos, será pelo canal da Gestão Participativa no Youtube: https://youtu.be/RcolktQjs0Q

Descoberta recente

A morte de Zumbi dos Palmares sempre reconhecida como um marco histórico, mas a data exata em que ela aconteceu só veio à tona nos anos 1970. A partir daí, movimentos sociais e antirracistas ganharam musculatura, especialmente depois da redemocratização do país. Em 2003, foi criado o Dia Nacional da Consciência Negra, incluído no calendário escolar e instituído como feriado nacional em várias cidades do país.

Neste ano, a maioria dos eventos não será aberta ao público externo. Confira a programação:

MUNICÍPIO UNIDADE EVENTO DATA
Capital Etec Prof. Camargo Aranha Durante três dias, a comunidade interna participará de um sarau cultural com música, poesia e filmes e assistirá a uma exposição com desenhos sobre arte e cultura negra. Os estudantes também programaram um desfile que mostra influências afro-brasileiras sobre a moda entre os anos 1980 e 2000. 16, 17 e 18 de novembro

 

(Período da manhã)

Etec Profª. Dra. Doroti Quiomi Kanashiro Toyohara A escola optou pela produção de seminários que têm como argumento O Brasil no contexto da diáspora africana. Entre os temas a serem apresentados estão Movimentos de resistência, Personalidades negras e suas contribuições para a sociedade,

 

Eugenia e legislação para a proteção da população e Estética e cultura negra: acessórios, moda, tendências, influenciadoras de moda negra, entre outros.

22 de novembro
Fatec Ipiranga Além de uma exposição com fotos de personalidades negras e a inscrição de palavras de origem africana? que fazem parte do nosso cotidiano, a unidade terá, às 9h40, a apresentação de uma roda de capoeira. Nesse dia, os alunos serão estimulados a trocar livros de autores negros, enquanto um aparelho de TV transmite documentários sobre o tema.
Os eventos são abertos a toda a comunidade.
18 de novembro

 

(No horário regular das aulas)

Fatec Itaquaquecetuba Professor da Fatec Itaquaquecetuba e artista plástico, Wilton Garcia leva ao Memorial da América Latina, na Capital, a exposição Latinoamerica Negra Contemporânea, como parte das comemorações Dia da Consciência Negra.  A curadoria da mostra é de Luciano Maluly, da Escola de Educação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). A abertura conta com performance de Terezinha Malaquias. 19 de novembro a 4 de fevereiro de 2023
Etec Itaquera II O projeto Escola Antirracista, criado em junho, traz para o espaço da escola o diálogo, a aprendizagem e a reflexão sobre as questões que envolvem a igualdade racial.  Nesse contexto, a ação Pela Igualdade Racial: Construindo a Escola Antirracista pretende fechar as discussões que já vêm acontecendo desde a criação do projeto com rodas de conversa. No dia 17, os convidados são o professor Antônio Carlos da Silva Barros, coordenador de Políticas para a População Negra e Indígena da Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo, pela manhã; e a advogada, historiadora, ativista negra e feminista Natália Lourenço da Silva, que fala no período da tarde. No dia 18, são os alunos previamente inscritos que compõem rodas de conversas temáticas. 17 de novembro

 

(9 horas e 14 horas)

18 de novembro

(9 às 12h30)

Etec Profª Luzia Maria Machado Durante todo o mês de novembro, os murais da escola receberão uma mostra que lembra atores, autores e músicos negros: Machado de Assis, Chiquinha Gonzaga, Lima Barreto, Otelo e Clementina de Jesus. Entre eles, Zumbi dos Palmares, a quem se deve a data. Também serão exibidas campanhas de conscientização criadas pelos alunos. Na semana posterior ao dia 20 haverá uma palestra com o publicitário Rodrigo Araújo com o tema Educação e o potencial de transformação. Durante todo o mês de novembro
Etec Dra. Maria Augusta Saraiva Questões relacionadas à cultura negra serão abordadas ao longo de todo o mês de novembro, com a presença de artistas e palestras sobre o racismo no Brasil. Na biblioteca da escola, o espaço estará aberto à exposição de obras de autores negros ou que tratam do racismo. Professores, gestores e alunos farão a leitura dramática dessas obras. Ao longo do mês de novembro, no horário das aulas
Etec São Mateus Sob o título 20 de novembro, o racismo e a visibilidade dos movimentos políticos do ontem, do hoje e do amanhã, a Etec promove uma mesa-redonda no auditório da unidade. Estarão presentes Jamila Prata Aguiar, professora de geografia da rede pública municipal de São Paulo, mestranda em Ciências Humanas pela Universidade de São Paulo (USP) e percussionista; e Marco Aurélio Pereira, professor de biologia e doutor em educação pelo Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro. Outra atração é a mostra Racismo no futebol.  21 de novembro

 

(10 às 12h20 e 13h30 às 15h20)

Etec de São Paulo O Coletivo Nkongo Nkosi, formado por alunos e ex-alunos, está no centro das ações que acontecem na unidade envolvendo temas como consciência negra, inclusão, combate à desigualdade e, principalmente,  racismo. Como o grupo acredita que a questão negra deve estar na pauta todos os dias do ano, não foi criada uma programação especial para o dia 20 de novembro. No entanto, o Coletivo, que já desenvolveu uma oficina sobre a obra Sobrevivendo no Inferno, do grupo de rap Racionais, agora organiza uma palestra sobre educação não racista, baseada na obra da filósofa Djamila Ribeiro. Programação contínua
Fatec São Paulo Ex-alunos da unidade que fazem parte do Movimento Negro formam uma mesa-redonda em que o tema será Os desafios do (a) universitário (a) negro (a) em uma sociedade antirracista. 17 de novembro

 

(18h30)

Etec Mandaqui O tema escolhido para as comemorações deste ano é A História do Povo Brasileiro, contemplando não apenas a consciência negra mas também a diversidade étnica brasileira. Serão peças teatrais curtas, desenvolvidas pelos estudantes, que abordam: memórias; cultura, política, musicalidade e estilos literários; o momento atual, que coloca em discussão a violência e as diversidades regionais; educação, com a história da educação básica. O evento ocorre no Centro Cultural da Juventude (C.C. J) Ruth Cardoso, com entrada franca para a comunidade. 26 de novembro

 

8 às 12 horas

Etec de Tiquatira É em torno do tema O 20 de Novembro e a visibilidade aos movimentos políticos do negro no ontem, no hoje e no amanhã que se desenrolam as palestras e os debates organizados pela Etec. Entram aí as explanações, a cargo dos professores, que pretendem contextualizar temas atuais como o significado do Dia da Consciência Negra, dos movimentos de luta e resistência do povo negro e dos processos de racialização no Brasil. Também estão na pauta a visibilização de personalidades negras e a importância da representatividade, a ocupação dos espaços de poder e da manutenção do lugar de fala do negro como forma de contraposição ao racismo estrutural. A arte também comparece com intervenções de poesia com interpretação de alunas pretas. 23 de novembro

 

(7h20 às 9 horas e 10h20 às 12h20)

Cubatão Etec de Cubatão O legado do povo negro e o seu empoderamento, com foco na juventude e no enfrentamento ao racismo, são os assuntos que estarão no centro da roda de conversas promovida pelo Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Social de Cubatão (Compir). Não faltará música para marcar o evento, exclusivo para a comunidade interna. 17 de novembro

 

(No horário regular das aulas)

Itapira Etec João Maria Stevanatto Música, debates e exposições estão previstos para o 20 de Novembro da Etec. Profissionais negros de diversas áreas estarão presentes em rodas de conversa no espaço da escola, que também abrigará uma exposição com pesquisas feitas pelos estudantes sobre a questão negra e pessoas negras que se destacaram ao longo da história. A festa fica por conta da apresentação de um grupo de capoeira e da Congada Mineira de Itapira, grupo tradicional da cidade 21 de novembro

 

(Período da manhã)

Itu Fatec Itu Os debates pertinentes à questão negra estarão na roda de conversa que tem como convidada a União Negra Ituana (Unei). 21 de novembro
Lençóis Etec Cidade do Livro A cultura do continente africano será representada por meio culinária e da moda, em um evento que inclui dança e rodas de conversa. 21 de novembro

 

(Período da manhã)

Marília Etec Antonio Devisate O tema da palestra organizada pela Etec é injúria racial. O evento acontece de forma remota, para a comunidade interna, com o especialista Carlos Roberto Gonçalves. 19 de novembro

 

(9 às 10h30)

Monte Mor Etec Monte Mor Os estudantes poderão aprender um pouco mais sobre o Hip Hop em uma palestra que conta a história desse gênero musical nascido nos Estados Unidos. Completam a programação da escola uma apresentação musical e uma batalha de rimas mediada pelo rapper João Paulo Rodrigues Machado. 18 de novembro

 

(10h40, 14 horas e 19h30)

Osvaldo Cruz Etec Amim Jundi A feijoada, uma herança da culinária africana, estará presente no dia da Consciência Negra e não será em forma de palestra ou de exposição. O 20 de Novembro será comemorado com uma tradicional feijoada. Também compõem a programação uma roda de capoeira formada por alunos e um depoimento da professora Adriana Barbosa, que falará da experiência de ser uma pessoa negra no Brasil. 22 de novembro

 

(No período da manhã)

Santa Rita do Passa Quatro Etec Manoel dos Reis Araújo O assunto aqui é literatura.  Para isso foi planejado um círculo de vivências em que os participantes refletem sobre as questões raciais que envolveram movimentos literários no país e o reconhecimento de autores negros. As atividades contarão com a parceria do Coletivo Maria Helena de Jesus, responsável por estabelecer no município o Movimento Novembro Negro – Por uma Cidade Antirracista. No dia 22 de novembro, uma roda de conversa acontece no Centro Cultural do Serviço Social da Indústria (Sesi) e aborda a obra de Carolina Maria de Jesus. No dia 29 de novembro, apenas para estudantes da Etec, será apresentada no auditório da escola uma peça teatral seguida de debate. O tema é o escritor e jornalista Lima Barreto, nascido no Rio de Janeiro em 1881. 22 de novembro

 

(7h30) e

29 de novembro

(9 horas)

Suzano Etec de Suzano Os murais da escola estarão preenchidos com uma exposição que remete à cultura afro-brasileira, com frases de conscientização sobre igualdade social, discriminação e racismo. Os trabalhos serão executados pelos alunos a partir dos componentes de História, Artes, Filosofia, Sociologia e Língua Portuguesa. 16 a 25 de novembro

 

(No horário regular das aulas)

  Etec Salles Gomes E aí, vamos tirar essas expressões do vocabulário? Essa é a pergunta que será respondida, impressa e exposta pelos alunos na unidade, lembrando a carga de racismo que certas expressões carregam. 16 a 30 de novembro
Tatuí Fatec Tatuí A professora Andréa Luisa dos Santos, da Fatec Tatuí, criou em agosto deste ano o Núcleo Mo Ati Iye, propondo estudos e criando uma atmosfera de acolhimento em relação aos alunos da unidade. Ficou a cargo do Núcleo, portanto, a programação da semana. Ao longo do dia 18, quatro aparelhos de TV ficarão ligados transmitindo vídeos antirracistas e sugerindo nomes de autores negros.  À tarde, uma mesa-redonda traz o tema black money. O movimento que leva esse nome, fundado pela executiva Nina Silva, propõe, entre outras estratégias, a circulação de dinheiro entre a população negra. Seu slogan mais conhecido é: “Se não me vejo, não compro”. 18 de novembro
Vera Cruz Etec Paulo Guerreiro Franco A Etec de Vera Cruz pretende abordar o tema durante as aulas das turmas do Ensino Médio. A ideia é fazer a leitura de textos de autores negros e elaborar cartazes que ficarão expostos nos murais da escola. Programação sem data definida

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