Projeto acadêmico é uma tecnologia acessível voltada à mobilidade de pessoas com necessidades especiais, com foco nos cadeirantes
Atualmente, o sistema está em estágio funcional de protótipo e já foi testado em ambiente real | Crédito: Reprodução YouTube
A falta de adaptações em ruas, calçadas e outros espaços urbanos impede que milhões de pessoas com mobilidade reduzida (PMR) se desloquem com autonomia pelas cidades brasileiras. Diante desse cenário, alunos da Escola Técnica Estadual (Etec) de Registro desenvolveram uma cadeira de rodas automatizada, de baixo custo e conectada, que busca garantir o direito de ir e vir dessa parcela da população.
Batizado de Autonomia Inteligente para PCDs – WACS, o projeto consiste em uma solução tecnológica acessível voltada à mobilidade urbana de pessoas com deficiência, com foco especial nos cadeirantes.
Atualmente, o sistema está em estágio funcional de protótipo e já foi testado em ambiente real. A iniciativa foi desenvolvida pelos estudantes Luiz Iha Lima, Pedro Dias Santos e Victor Ferreira Theodoro, do curso de Desenvolvimento de Sistemas, sob orientação dos professores Ramon Alves Trigo e Luiz Claudio Barreto.
“A nossa ideia foi criar uma cadeira de rodas de baixo custo, conectada a um aplicativo móvel que traça rotas acessíveis e permite o controle automatizado do equipamento. Por meio da plataforma digital própria, o usuário pode compartilhar experiências e fazer avaliações”, explica Victor Ferreira Theodoro.
A cadeira é integrada a um aplicativo disponível em appwacs.com.br, via conexão Bluetooth. O sistema oferece funcionalidades como mapeamento colaborativo de locais acessíveis, avaliações públicas, comentários abertos, rotas adaptadas com base no Google Maps, chat comunitário e perfis personalizados com pontuação para incentivar a participação dos usuários.
“Criamos um site expansivo e um mapa colaborativo, e estamos implementando recursos como comandos de voz e reconhecimento de ambiente por inteligência artificial”, acrescenta Pedro Dias Santos. O projeto conta com apoio da Associação da Pessoa com Deficiência e da Câmara Municipal de Registro.
Desenvolvimento Sustentável
O WACS está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 9 e 10 da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). A solução utiliza tecnologias abertas e acessíveis, fortalecendo a inovação e a infraestrutura, além de contribuir para a redução das desigualdades.
“É fundamental reconhecer que pessoas com deficiência têm direito a acesso irrestrito a todos os lugares. Nosso projeto é um exemplo de tecnologia aplicada à função social, garantindo acessibilidade a quem possui mobilidade reduzida”, destaca Luiz Iha Lima.
Apresentado na Feira Tecnológica do Centro Paula Souza (Feteps) – o principal evento de inovação e empreendedorismo estudantil das Etecs e Fatecs do Estado de São Paulo –, o WACS oferece mais autonomia e dignidade a pessoas com mobilidade reduzida e a seus cuidadores.
Dados Populacionais
Segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui cerca de 14,4 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, sendo que 5,2 milhões relataram dificuldade para caminhar ou subir degraus – uma das limitações mais comuns entre a população brasileira.
Pessoas com mobilidade reduzida incluem não apenas indivíduos com deficiência, mas também idosos, gestantes, pessoas obesas e vítimas de lesões que comprometam a coordenação motora ou a flexibilidade.
A falta de acessibilidade em espaços públicos e privados – como calçadas precárias, ausência de rampas e sinalização inadequada – compromete a autonomia e os direitos dessas pessoas, reforçando a importância de soluções tecnológicas como o WACS.