Fatec SJC desenvolve colete tecnológico para cães de resgate


18 de janeiro de 2021

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Cadela Hope participou de simulação para confirmar a eficiência do equipamento em ações de salvamentos | Foto: Divulgação

Atualizado em 21 de janeiro às 10h40

O trabalho de super heróis dos cães de resgate em missões de salvamento pode contar agora com um aliado inteligente. Trata-se de um colete tecnológico, desenvolvido na Fatec de São José dos Campos, equipado com câmeras e sensores para monitorar a saúde do cachorro e o ambiente onde ele será inserido. O foco principal dos desenvolvedores foi garantir a proteção do animal, por meio do monitoramento das condições físicas e emocionais, além de aumentar a eficiência das operações.   

O projeto multidisciplinar envolveu conhecimentos das áreas das indústrias 4.0, de Automação e de Tecnologia da Informação e coordenação da professora Vera Lúcia Monteiro do curso superior tecnológico de Logística. No total, foram três anos de pesquisas realizadas por professores e estudantes dos cursos de Tecnologia da Informação e Logística. O projeto contou ainda com as participações da ex-aluna Vivian Saadi, do engenheiro Marcello Contini, que  desenvolveu a primeira versão do colete durante seu mestrado na  Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do professor Alessandro Correa que trabalhou na versão final do equipamento.

A tecnologia foi testada e aprovada pela cadela Hope da unidade do Corpo de Bombeiros no Ipiranga, zona Sul da Capital, e doada para a instituição. Um colete similar ao desenvolvido pela Fatec custaria cerca de R$ 20 mil no mercado, mas o custo de produção ficou bem abaixo desse valor por causa da colaboração de professores, estudantes e acesso aos laboratórios da Fatec.

O hardware e software embutidos no equipamento permitiram a comunicação e geolocalização. As equipes de salvamento conseguem monitorar os batimentos cardíacos, oxigenação, pressão sanguínea e temperatura corporal do animal mesmo quando ele está fora do campo de visão. Com base nestes dados, os monitores passam os comandos para o cachorro descansar, seguir ou retornar. “O monitoramento e avaliação das condições físicas e de estresse do animal são fundamentais porque para os cães a operação de resgate é uma brincadeira e por isso eles não têm limites”, explica Vera.

Mais inteligência e segurança

Outro dispositivo de segurança do colete tecnológico é o GPS que envia dados de localização geográfica e sinais de detecção de gases nocivos. As informações otimizam a operação de resgate porque evitam que os cães repitam percursos perigosos e também reduzem as ameaças de acidentes.  

Além de programação, o desenvolvimento deste sistema demandou muita pesquisa. Os estudantes fizeram entrevistas com profissionais da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e veterinários. “Os alunos foram a campo para conhecer como funcionam as operações de resgate, quais são as atribuições dos cães e qual tipo de tecnologia responderia melhor às demandas dos desastres”.

Outras instituições estão entrando em contato com a professora para ter acesso à tecnologia. Além de resgate em acidentes, o equipamento pode ser utilizado nas operações de busca de drogas e bombas e inclusive ser adaptado para uso em outras espécies como nos cavalos, por exemplo. A inovação e criatividade desenvolvidas na Fatec criam soluções e podem inspirar novos usos.