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Ex-aluna é inspiração no Dia Internacional da Mulher

Entre histórias marcantes encontradas no Centro Paula Souza, conheça a da menina que acordava de madrugada para estudar e hoje trabalha na linha de frente em setor predominantemente masculino

6 de março de 2026 8:32 am Etec, Fatec, Institucional

Depois de estudar em duas Etecs e uma Fatec, Bruna Talise trilhou seu caminho em uma área predominantemente masculina | Foto: Divulgação

O relógio marcava cinco horas da manhã quando Bruna Talise via a mãe sair da casa de madeira, onde as duas moravam, na Favela do Jardim Silvina, em São Bernardo do Campo, rumo ao trabalho como empregada doméstica. A menina então ligava a TV, não para se distrair, mas para estudar pelo Telecurso 2000. Para vencer o sono, Bruna pensava no objetivo claro que estabelecera para o seu futuro: entrar em uma Escola Técnica Estadual (Etec).

“Meu maior sonho era simples: morar em uma casa digna, ter tranquilidade para fazer uma refeição sem preocupação e, acima de tudo, proporcionar uma vida melhor para minha mãe”.  Ela sabia que a educação seria a única arma à disposição para mudar sua realidade.

Terminado o Ensino Médio, Bruna viu o seu esforço valer a pena: ingressou na Etec Jorge Street, de São Caetano do Sul, para cursar o Técnico em Eletrônica . Menos de oito meses depois, aos 18 anos, já conquistava o primeiro estágio, que se converteu em seu primeiro emprego. Ela não parou por aí. Cursaria ainda o Técnico em Mecatrônica na Etec Lauro Gomes, em São Bernardo do Campo, e Automação Industrial, na Faculdade de Tecnologia do Estado (Fatec) Adib Moisés Dib, da mesma cidade.

À frente da seleção

Bruna se formou na Fatec em 2024, aos 36 anos. “Ao longo dessa jornada, tive a oportunidade de atuar em empresas de grande porte no setor industrial e tecnológico, como Bematech e WEG”, revela. Hoje trabalha na Scania, na linha de frente da nova geração de motores Euro 6,“um projeto de extrema relevância para o futuro da mobilidade e da sustentabilidade”, avalia.

Na WEG, Bruna conta que havia participado de um processo de seleção em que era a única presença feminina. Era também, entre todos os candidatos, a única inscrita no CREA – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia. Acertou quem imaginou que Bruna conquistou a vaga.

Capacitação contínua

Hoje a ex-aluna se dedica a aprimorar a língua inglesa “para alcançar fluência e ampliar minhas oportunidades em um contexto cada vez mais global”. Também se envolve em capacitação contínua, desenvolvimento técnico e fortalecimento de competências comportamentais.

Nos seus planos, que começaram a ser traçados nas madrugadas em frente à TV, está o desejo de ser uma futura liderança dentro da empresa em que trabalha. Outro sonho acalentado por Bruna está a volta a uma Etec ou Fatec, não mais como aluna, mas como professora. “Seria uma forma de retribuir tudo o que a educação me proporcionou e inspirar outros jovens a acreditarem que também podem transformar a própria história por meio do conhecimento”, diz.

Para as meninas indecisas se devem ingressar em áreas consideradas masculinas, Bruna tem um recado: “A presença feminina na ciência e na tecnologia não é apenas uma questão de representatividade, mas de qualidade, inovação e progresso. Mulheres trazem novas perspectivas, diferentes formas de resolver problemas e contribuem diretamente para soluções mais completas e eficientes”.

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