Vanessa e Vitor se conheceram nos corredores da Etec e continuaram, juntos, a trilhar trajetórias de conhecimento e formação sólida; em fotos, antes do casamento, registram seu carinho pela escola
Durante o ensaio, o casal se diverte nas dependências da Etec onde estudaram e se conheceram | Foto: Matheus Avelar
“Em 2026, teremos vivido metade da nossa vida juntos”, diz Vanessa Hirata referindo-se a Vitor Higashi, com quem se casará em outubro. Eles estão com 32 anos e se conheceram aos 16, quando estudavam na Escola Técnica Estadual (Etec) Guaracy Silveira, na Capital. No início de fevereiro, estão na unidade para o ensaio pré-wedding, que os casais costumam fazer em lugares cheios de significados.
Vanessa e Vitor ingressaram na Etec em 2009, ela no Ensino Médio integrado ao Técnico em Meio Ambiente, ele no integrado em Eletrônica. Alunos de turmas diferentes, só no ano seguinte foram apresentados e engataram o namoro. “A partir daí, começamos a passar mais tempo juntos na escola, dividir horários livres”, conta Vanessa. Até se formar, em 2011, ainda não sabiam que seriam aprovados, juntos, no curso de Engenharia de Produção no Instituto Federal de São Paulo, em 2012.
Antes de fazer as fotos, na manhã chuvosa de fevereiro, eles percorrem os espaços da escola atentos ao que permanece igual, curiosos com o que mudou, relembrando fatos, aulas, colegas e professores. “Olha só a TV”, surpreende-se Vitor ao entrar em sua antiga sala de aula. Os aparelhos de televisão ainda não eram comuns nas classes quando eles fizeram o Ensino Médio.
Contam que em 2014 foram selecionados para o programa Ciências sem Fronteiras. “Juntos, fizemos um intercâmbio no Canadá por cerca de 14 meses, experiência que marcou nossa trajetória, tanto do ponto de vista acadêmico quanto pessoal, e contribuiu para nossa formação e entrada no mercado de trabalho”, conta Vanessa. “Ao longo desse caminho, muitas vezes achamos que nossas trajetórias iriam se separar, na faculdade, no intercâmbio ou no trabalho, mas, de alguma forma, o destino sempre acabou nos reunindo”. Enquanto relembram os dias de escola e o futuro que foram delineando, a fotógrafa Hellen Figueira e a videomaker Lidiane Itonaga estão atentas a todos os detalhes e percorrem com o casal os espaços em que transitavam.
Guaracyanos
Hoje, os dois atuam no setor do agronegócio – Vanessa, em uma produtora de etanol, como Especialista em Planejamento de Vendas e Operações (S&OP), trabalhando com produção, logística e demanda. “Apesar de não atuar diretamente como engenheira, a base da graduação e o conhecimento do Técnico em Meio Ambiente fazem muita diferença no meu dia a dia, especialmente por trabalhar com biocombustíveis”, avalia.
Vitor é Especialista em Inteligência de Mercado, com foco em açúcar, realizando análises de demanda e projeções de preços que apoiam a estratégia da empresa. “Na época do Ensino Médio você não tem tanta clareza da utilidade de aprender sobre diversos assuntos, como por exemplo, de estudar História. Somente ingressando no mercado de trabalho fui me dar conta da relação do Brasil colonial, escravidão e engenhos de cana-de-açúcar, com o que o Brasil representa hoje. Somos o maior produtor e exportador de açúcar do mundo. Hoje consigo conectar a importância do agro brasileiro com o conteúdo daquelas aulas”, explica. Vanessa acredita que a Engenharia de Produção deu a eles uma formação bastante versátil. “Ela nos permitiu seguir trajetórias diferentes dentro do mesmo setor”.
Duas horas depois do início das fotos, tempo em que reviram, com carinho, até mesmo os armários em que guardavam o material escolar, os ex-alunos parecem realizados. “Uma vez guaracyano, sempre guaracyano”, brinca Vitor, que já não usa o cabelo comprido que exibia nos corredores da escola. E diz, sério: “Foi também no trabalho que fui me dando conta de que a escola tem papel fundamental na interação social. Os trabalhos em grupo, as apresentações e até mesmo os intervalos entre aulas os desenvolvem e ajudarão na comunicação e nas futuras relações com equipes e lideranças. O ambiente escolar é a base do futuro profissional”.
Vanessa completa: “Nossa história é profundamente ligada à Etec Guaracy Silveira, que foi o ponto de partida de tudo para nós. Registrar esse momento na escola onde tudo começou é uma forma de reconhecimento e gratidão”.








Crédito: Matheus Avelar