Seis estudantes de Mogi das Cruzes disputam neste final de semana, em São Paulo, uma vaga para o campeonato de abril em Harvard
Carlos e Ohana participam de campeonato de oratória em São Paulo, ao lado de quatro colegas | Foto: Divulgação
No fim de 2025, Carlos Mitsuo Buto Prates, aluno da terceira série do Ensino Médio Integrado ao Técnico em Mecatrônica da Escola Técnica Estadual (Etec) Presidente Vargas, de Mogi das Cruzes, carimbou o passaporte para o Harvard Schools, um dos mais importantes torneios de debate do mundo, que acontece anualmente na universidade americana. Hábito comum na Grécia Antiga, o debate hoje envolve estudantes entusiasmados, e não por acaso: ele estimula o raciocínio lógico e o pensamento crítico, promovendo a empatia, entre outros atributos.
Antes de embarcar, porém, o estudante participa de mais um campeonato disputado em inglês, o Oxford Schools, que ocorre em São Paulo de amanhã (24) a terça-feira (27), com uma seletiva que poderá levar mais sete alunos da mesma Etec para a competição nos Estados Unidos. Além de Ohana Missaki, terceira série do Ensino Médio Integrado ao Técnico Design de Interiores, e parceira de Carlos no debate que garantiu a ele uma vaga para Harvard, o estudante monitorou mais seis colegas, incentivando-os a participar das competições.
Assim, estarão também no evento deste final de semana os estudantes do Ensino Médio Integrado ao Técnico Arthur Moreira Beserra (segunda série de Edificações), Caio Bezerra de Oliveira e Cecília do Nascimento Duarte, (segunda série de Eletrônica), Letícia Marques da Cunha (segunda série de Administração), Gustavo Lima dos Santos (terceira série de Automação Industrial) e Matheus Moreira da Costa, (terceira série de Mecatrônica).
Complexidade
“É um xadrez intelectual”. Assim Carlos, de 17 anos, define o debate. E explica que ele começa com uma proposição ou moção. Um grupo defende um ponto de vista, o outro grupo o refuta. São temas variados de atualidades, passando por economia, história ou política. Cada time faz suas considerações, colocando a sua posição com argumentos sólidos. É preciso construir a defesa independentemente do tema ser pessoalmente caro ao debatedor. “Isso te obriga a se colocar no lugar do outro”, avalia.
“A complexidade nesses torneios é superior à encontrada nos vestibulares, por exemplo”, conta Carlos. “Em uma redação, a gente pode argumentar que de acordo com tal filósofo uma afirmação está correta; já no debate competitivo, é preciso dizer como se chegou a esse raciocínio, esclarecer o porquê de a sua colocação estar certa”. O Harvard Schools será em abril de 2026, reunindo times de estudantes de vários países.
A competição que o levará a Harvard, realizada em parceria com grupos universitários de referência no país, ocorreu na sede da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba: o Torneio Nacional de Debate Competitivo. Na ocasião, ele competiu em um time formado por Ohana Missaki e por um estudante de Curitiba. Já na seletiva, em que o inglês é o idioma falado em todo o processo, Carlos passou a integrar o chamado Time Desenvolvimento, um dos dois times que vão representar o Brasil em Harvard.