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Horas de estudo, privações, dedicação, sono: o longo caminho para chegar ao ensino superior

Os olhos atentos vão percorrendo as imensas listas de nomes. Os dedos deslizam sobre o papel em busca de uma boa notícia. Todos os anos, centenas de estudantes das Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) terminam esse “ritual” com os rostos pintados, comemorando. São os aprovados no vestibular das grandes universidades paulistas e das Faculdades de Tecnologia do Estado (Fatecs).

Até a matrícula no ensino superior, cada um dos aprovados enfrentou uma rotina puxada no contra turno das aulas, algumas privações, dedicação em sala de aula, sono.

Kauan Pirani, ex-aluno da Etec Philadelpho Gouvêa Netto, de São José do Rio Preto, encontrou seu nome na lista dos que ingressaram no curso de Ciências Biológicas da Universidade de São Paulo (USP) no início deste ano. Para chegar lá, teve de se dedicar: tinha apenas duas horas para estudar diariamente, conciliando o curso técnico e o cursinho. “Os professores (da Etec) foram muito bons. Eram exigentes, passavam listas de exercícios.”

Como Kauan, Suzana Bellini, de 17 anos, tem muitos elogios a fazer a seus professores da Etec Basilides de Godoy, na Capital, onde cursou o técnico em Informática. “Os professores eram ótimos, a Etec tem nome.”

Foi nas aulas desse curso que ela conseguiu definir se daria mesmo continuidade aos estudos na área que despertou seu interesse desde muito cedo: computação. Ao encontrar o curso superior tecnológico de Análise e Desenvolvimento de Sistemas nas Fatecs, Suzana percebeu que era o ideal para seus projetos. Ela está estudando na Fatec São Paulo.

Um dos destaques do curso, na avaliação da aluna, são as matérias eletivas. Ela escolheu as disciplinas de Linguagem de Programação, Estrutura de Dados, Programação para a Internet. “Gosto dessa liberdade e já vou me direcionando para a área em que quero atuar.”

Sono

O período em que cursou o Ensino Médio na Etec Pedro D’Arcádia Neto, em Assis, não foi dos mais simples para Claudio Rühmann Di Raimo, de 17 anos. Morador de Pedrinhas Paulista, ele enfrentava uma hora de viagem entre sua cidade e a escola, de ônibus ou van. Saía da cama às 5 horas e voltava a dormir à tarde, quando retornava da aula. Para garantir sua aprovação, decidiu se concentrar em sala de aula em vez de passar horas estudando depois, quando se sentia cansado.

A estratégia deu certo e ele foi aprovado no curso de Engenharia Civil e Ambiental da USP e no curso de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Foi uma surpresa. “Eu faria um ano de cursinho numa boa”, afirma o universitário, ao lembrar que já tinha planos de fazer novos vestibulares.

Para chegar à USP, onde decidiu estudar, Claudio contou com a qualidade do ensino que recebeu na Etec e com seu empenho, claro. “As aulas eram muito boas”, conta. “O diferencial era o clima de amizade entre professores e alunos, foi muito legal.”

Mesmo sendo craque em Matemática, base da engenharia, a adaptação aos desafios universitários está sendo feita pouco a pouco. “Esse curso é uma coisa de louco.”

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